Fashionista



Addicted To Fashion!

Saturday, 19 July, 2008

Minha gente, eu tenho uma confissão a fazer – eu sofro, assim que de maneiras, de uma certa tendência compulsiva para comprar roupa, sapatos e qualquer acessório mais cintilante que faça brilhar os meus olhos. Sou incapaz de passar pela Topshop, pela Nine West ou pela Accessorize sem adquirir as últimas novidades, como da mesma forma, sou incapaz de não me entregar a uma online shopping spree de cada vez que recebo uma newsletter da Oli, da Shoe Studio ou da eBags. Como podem imaginar, um verdadeiro vício de aborrecidas consequências. Com o dinheiro que gastei o ano passado na high street podia ter feito um cruzeiro nas Caraíbas em primeira classe que ainda me sobrava pocket money, mas não é isso o que me está a deixar apreensiva. Não. O que me está a fazer pensar duas vezes antes de comprar o próximo trapo, sola e bling bling é o facto de já não ter um centímetro de espaço disponível no Castelo de Westminster para guardar máinada.

Com o guarda-fato a abarrotar de espécimes Topshop e Oli - e esses são só os exemplares Primavera-Verão, a roupa de Inverno está no armário do hall de entrada - a minha colecção de sapatos teve de migrar para o armário da caldeira, o que me deixou deveras triste, porque a caldeira não é sítio onde se guardem os meus meninos e eu não quero que eles pensem que eu não gosto deles.

 

Do mesmo modo, desde que deixei de ter gavetas onde pôr os acessórios, os colares andam pendurados no espelho do quarto, enquanto os lenços estão enfiados, juntamente com os casacos e cachecóis, num dos armários da cozinha.

 

As malas, essas, estão empilhadas atrás da porta do quarto, pobrecitas, e os cintos partilham o mesmo cabide que à custa de muito empurrão lá vai cabendo no guarda-fato.

 

Dito isto, é preciso ter em mente que se há coisa que me dá tremores no sobreolho é a confusão do cluttering. Não suporto ver cangalhada acumulada, mas por outro lado também não consigo deixar de coleccioná-la. Duas sensações contraditórias que ultimamente instigaram a minha primeira crise fashionista e ainda me levaram a pensar doar parte das minhas preciosas posses à Cancer Research Charity Shop, desocupar o Castelo ao mesmo tempo que dava uma de altruísta e firmava as minhas credenciais de moqueca preocupada com o flagelo do cancro. O que me fez mudar de ideias foi o simples facto de que eu gosto (e uso!) todas as peças a que chamo “minhas” e, para além disso, a sua vasta quantidade ajuda-me a perpetuar o mito da Maria Lua – a moqueca que jamais é vista a desfilar o mesmo outfit no mesmo trimestre. Assim como assim, algo me diz que mesmo que amputasse parte da minha fabulosa couture, em menos de seis meses teria o apartamento na mesma desgraça.

Por tudo isto, a única alternativa que se tem apresentado mais factível é o self-control - evitar a high street, apagar as newsletters ainda antes de as abrir e tentar convencer-me de que os mais de cinquenta vestidos que tenho no armário e os mais de trinta pares de sapatos que tenho na caldeira são suficientes para replicar o último look ditado pela Vogue.

Mas esta semana, tenho de dizer, foi simplesmente impossível ignorar os meus impulsos shopaholics. Com os saldos no auge e os percentis a subirem, eu não podia deixar de adicionar mais cinco malas às treze que já tenho. Ou podia?