
Desde que aprendi a escrever que tenho a necessidade de rabiscar diários que relatem a minha vida e o impacto que a vida dos outros tem tido em mim. Tenho obsessão por deixar um testamento escrito do meu crescimento interior e exterior, do meu percurso, das minhas mudanças, da concretização dos meus sonhos, das minhas dores e das minhas alegrias.
Escrevo, principalmente, porque tenho medo de ser esquecida pelas futuras gerações da minha família e de que as pessoas que hoje significam tudo para mim, amanhã não passem de um nome vazio mencionado por alto à mesa da ceia do Natal, porque ninguém mais se recorda das suas biografias. Pois o tempo passa, não perdoa e tudo esquece.
Quem pode contar com exactidão a história de vida dos seus avós e bisavós, de onde vieram, o que fizeram, o que suportaram, quem amaram se as suas histórias não tiverem sido escritas por eles ou por outros? Será que as suas vidas foram tão corriqueiras e banais como aparentam terem sido? É certo e sabido que no final da vida, a memória começa a falhar-nos e o relato deles quando passado de boca em boca torna-se incompleto e cheio de buracos. Por isso, tenho medo que os meus filhos e netos não tenham como saber quem eu fui se eu não lhes deixar uma descrição in real time da minha vida. Quero que eles saibam porque tomei certas decisões, que me tornaram no que me tornei. Quero que através de mim, eles aprendam o valor que a Mommy tem na minha vida, essa guerreira dos meus sonhos, paixão da minha gloriosa existência. E espero que o meu testemunho lhes dê força, esperança e fé neles próprios como a Mommy me tem dado a mim.
Os diários que tenho escrito ao longo da minha vida têm sido muitos e variados. Desde o caderno encadeado com cheirinho a morango, oferecido pela Tia Ganga quando fiz 9 anos, passando pelos travel journals onde redigi as minhas aventuras pelo Canadá e pela Holanda, tudo tem servido de veículo para registar as minhas vivências e perspectivas do mundo. Tanto esses como os cadernos pretos da ambar (muito populares nos meus teen years), a compilação de Word Docs acumulada ao longo dos anos quando o papel e a caneta não estavam à mão, os love diaries iniciados de cada vez que um sapo in disguise me roubava o coração e os blogues, embora de uma forma mais censurada, claro está, a Maria Lua Dot Com e, agora, o Pink al Fresco, todos estão devidamente guardados para um dia passar de mão.
Mas, ultimamente, for my own chagrin, não tenho tido tempo para deixar pedaços de mim inscritos para a memória dos descendentes. O tempo é curto e, cada vez que me sento para escrever algo mais criativo e contemplativo, dá-me um peso na consciência que me deixa atordoada, porque a Maria Lua devia estar era a escrever a tese e não pensamentos cor-de-rosa, menina feia! E em guerra com a minha própria consciência, tenho de dizer, não me sobrou outra alternativa se não deixar de lado a escrita das aventuras e ideias que aqui não são partilhadas (too private!) para poupar tempo para a tese. Mas tal decisão também não significa que não continue a narrar o meu quotidiano não-censurado para mais tarde recordar. Não. Deixei de escrever porque comprei um super sónico Olympus Digital Voice Recorder e agora antes de me deitar, em vez de puxar do pobre do caderno, abandonado na mesinha de cabeceira a ganhar pó como um condenado, dito em viva voce os meus pensamentos e feitos diários para a maquineta. Ideia genial, não?

Rachel disse:
Maria Lua!!!
Duas palavras: Obrigada Senhor!
(Vou já mandar este post áqueles que me chamaram louca, quando deixei de escrever nos cadernos e antes de me deitar, na viagem de carro para casa, a cozinhar, and so on, passei a usar o digitalrecorder, para lavar a alminha!)
Thu, 25 September 2008, 14:42Visitar Rachel
Benjamim disse:
Sem bem me lembro os comentários estão moderados. não é? por isso cá vai…
Thu, 25 September 2008, 15:16“Não…não é nada genial, é uma merda de uma ideia.”
Desculpa ML mas foi a 1ª coisa que me ocorreu quando acabei de ler.
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Maria Inês disse:
Não é mais difícil?
Thu, 25 September 2008, 20:00beijo
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Icon disse:
Eu n vou comentar o digital recorder… Para mim é mais importante comentar a ideia por detrás dele.
Registar a tua vida parece-me inconsequente. Para seres imortal tens duas hipóteses!
1- Fazeres algo incontornável para a história da humanidade ou a nível de investigação na tua área. (pelo que escreveste, n parece ser este o teu interesse)
2- Marcar alguém como a mommy te marcou a ti! E aí, parece que vais no bom caminho. E não é pelo que tens registado. Será sempre pela pessoa que és enquanto estiveres com as pessoas. E isso, desaparecerá com essas pessoas…
Oh well! É apenas a forma como eu penso…
Thu, 25 September 2008, 23:17Visitar Icon
Paulo disse:
Eu voltava ao papel. A tua neta não vai ter suporte tecnológico para usar o digital recorder…
Fri, 3 October 2008, 12:23Visitar Paulo