Think Big

Se alguém perguntar porque é que eu decidi fazer carreira académica na Terra Ingla e não nas raquíticas universidades portuguesas, a reposta está em resultados como este que resumem o meu descontentamento face ao sistema educativo superior das ibérias ocidentais:

Universidade do Porto sobe 84 posições no ranking mundial de produção científica

Vice-reitor satisfeito por UP se situar na 375.ª posição no “top 500″ da ciência mundial… A UP é, aliás, a única universidade portuguesa presente neste ranking, onde são analisadas cerca de 17 mil universidades de todo o mundo. 

(In O Público, 30 de Agosto de 2008)

Palmadinhas nas costas do senhor reitor pelo notável esforço, mas o resultado, infelizmente, continua a ser horrores de medíocre. Quando é que os governos de Lisboa vão perceber que sem um justo investimento na educação portuguesa, sem uma destemida cobrança de propinas consoante o rendimento de cada um, sem a construção de laboratórios e bibliotecas científicas de jeito e sem a abertura de mais centros de investigação com apoios do Estado, mas principalmente do privado, o nosso património intelectulóide está destinado ao exílio e as faculdades portuguesas ao ridículo “400 Overall Rankings” do Times Higher Education?

Para quem ambiciona saber um pouco mais do que a licenciatura tem para oferecer, trocar ideias com os “topos de gama” da sua área, ter verdadeiras condições e incentivos para investigar o que lhe acossa a alma, então não há outra alternativa senão fazer-se ao cosmopolita. E um dia, quem sabe, quando já não tiver mais nada para provar aos seus pares transnacionais, e se a pátria o quiser de volta, regressar à base para ensinar à sua gente o que aprendeu lá fora.

Mas até esse dia chegar, deixem-me andar por aqui, que enquanto eu aqui estiver, estou no topo dos tops - a faculdade em que vou começar a leccionar é a 36.ª melhor do mundo no estudo das Humanidades e a faculdade em que me mestrei, ensinei até há pouco tempo e estou agora a acabar o doutoramento é, senhoras e senhores, a 3.ª melhor do mundo no estudo das Ciências Sociais. Nestes últimos anos, tenho pago uma pilha de propinas que daria para comprar um fantástico Ferrari, verdade seja dita, mas com a ajuda de uma bolsa oferecida pela própria faculdade, as aulas que dou e, até há pouco tempo, três diferentes part-times, tenho-me mantido de pé e muy orgulhosa.

Meus lindos, se é para seguirem os seus sonhos, então que os sigam em grande. O resto, depois arranja-se.



2 Comentários a “Think Big”

  1. Benjamim disse:

    Por estar afastado do mundo académico não sou sensível ao que escreves, mas tenho a infeliz certeza que é a mais pura das verdades.
    A desordem que se vive neste Portugal a todos os níveis deixa uma tristeza na alma.


    Visitar Benjamim
  2. Ricardo disse:

    eu quero!
    eu quero!

    Confesso que ultimamente não me tem passado outra coisa pela cabeça se não sair daqui… Estou a um passo de acabar um curso que ninguém sabe para o que serve, até eu às vezes, mas do qual gosto bastante! Quando os primeiros licenciados em Portugal nesta área (Biomecânica) estão para sair, directores de curso e departamento têm a lata de dizer que este curso em Portugal ainda é inútil… Por estas e outras razoes é que tenho uma vontade enorme em sair daqui, mas nem tudo são facilidades la fora… e no meu caso torna-se difícil, não sei que possibilidades tenho de ter uma bolsa para estudar fora, porque tirando isso não sei como iria sobreviver… já para não falar que ia sozinho, uma vez que não encontro ninguém para me acompanhar na aventura!
    Se a vontade ou o entusiasmo bastassem já não aqui estava…

    beijinho*


    Visitar Ricardo

Ora, diga lá de sua justiça

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