Felicidade aos Noivos: Versão Raio Parta a Solteirisse da Maria Lua

Recentemente, fui convidada a ir ao casamento do Juan e da Miranda na Andaluzia. O casal juntou-se em Paris há cinco anos atrás e com os dois agora na casa dos trinta, foi decidido que já estava na altura de selarem os seus profundos sentimentos e aconchegarem-se um ao outro para o resto da vida. Juan ajoelhou-se no cume de uma qualquer montanha em Machu Picchu e, rodeado de uma civilização ancestral e com um gostinho de coca na boca, pediu a Miranda em casamento, prometendo fazer da sua compincha uma Madame a sério. A boda, a ter lugar no início de Setembro, vai importar a moquecada de Londres para os arredores de Sevilha, prometendo muita farra e féria.

Mas até hoje, embora eu tenha dito que iria, não estava certa da minha presença. Para já, não sou muito adepta de celebrações em massa - consta que o Juan convidou mais de 300 pessoas para testemunhar o evento. Uma bestialidade numérica, se me perguntarem, que me transcende completamente, principalmente porque nem ele nem ela são parentes da Letícia e do Felipe.

Depois, acho muito estranho que embora o Juan me tenha dito várias vezes que jamais se iria casar, tenha agora proposto compromisso eterno à sua argentina. O que aconteceu? Voltou a enamorar-se da Miranda, foi? Ou será que as benéfices das isenções fiscais dos casados se tornaram irresistíveis? Ou será, antes, que entre o vasto stock de mulheres solteiras a viver nesta cidade ninguém mais lhe passa cartão? Não sei, sinceramente, não sei.

Finalmente, em terceiro lugar, não me apetecia ir ao casamento porque, neste momento, não tenho vontade nenhuma de ter a felicidade acuplada dos outros esfregada na cara. Eu sei, eu sei, “Côrror, Maria Lua, que coisa mais invejosa de se dizer”. Mas a verdade é que começo a ter tolerância zero para os meus moquecos, que se passeiam de braço dado por esta cidade como se Londres lhes pertencesse por direito ao amor. Embora as estrelas devessem estar a bafejar-me um lindo romance com direito a happy ending - afinal de contas, aparentemente, não há nada de errado comigo, sou solteira, boa rapariga e estou no primor das minhas carnes - dá-me a sensação que todos os meus companheiros de pabe, menos eu, andam a usufruir de tal zeitgeist. Pela primeira vez desde que os conheço, eles parecem ter encontrado do dia para a noite uma mais-que-tudo que lhes enche as medidas, trazendo-lhes suspeita áqueles “protegidos” por uma sorte menor que os destina a dias de verdadeira solidão, id est, euzinha. Sair com esta gente, ultimamente, passou a ser sinónimo de levar com casais felizes, membros exclusivos de um clube perfeição ao qual não fui convidada a aderir por falta de homem macho que me ponha o braço por cima dos ombros e me apalpe o peito eriçado.

Ai. É que tenho mesmo saudades dos tempos em que a maioria deles era solteiro ou sem intenções de assumir compromisso sério e nós éramos, assim, jovens e livres, fazendo o que nos apetecesse quando nos apetecesse sem dar satisfações a ninguém. Tinha a atenção de todos e entre eles movia-me como uma verdadeira rainha - a mulher desejada que na sua solteirisse residia todo o seu mistério.

Mas os meus dias de glória acabaram. Uma tristeza. Num espaço de seis meses, o meu mundo passou subitamente a ser dominado por machos comprometidos, onde a espontaneidade do já e agora foi substituída por um I’ll let you know, first I have to check with my girlfriend, enquanto eu passei de sex symbol a pitiful spinster. Mas também não é por escolha própria que ando sozinha! Não sou freira nem pudica, continuo simplesmente à espera do homem perfeito. E por ele não estou disposta a assentar acampamento com nenhum outro, nem a perder a minha liberdade e a minha joie de vivre em troca da rápida satisfação de necessidades ao sul do umbigo. Mas os moquecos já não entendem isso. Dividir a vida a dois e falar na primeira pessoa do plural passaram a ser a nova moda dos meus homens trintões. E eu, para minha frustração, passei a ser a solteira encalhada.

Pois eu digo, que se lixe. Vou rebelar-me contra a mudança dos tempos e a maturidade emocional que de repente assaltou a minha gente. Vou ao casamento, sim senhor, e vou levar a Mommy comigo. Ao contrário dos meus moquecos, posso não ter um date, mas tenho uma progenitora linda de morrer que me atesta as veias de orgulho e, tanto quanto me diz respeito, é mais charmosa do que qualquer vedeta cinco estrelas dos filmes de Almodóvar. Para além disso, e sobretudo, também acabei de comprar o vestido mais fabulous que vi nos saldos da Debenhams, que condizidos com uns belos de uns stilettos encarnados e uma lingerie e uma clutch da mesma cor, não me deixarão ficar de todo mal se por uma infeliz eventualidade puserem a mim e à Mommy a comer na mesa das crianças. Caramba, que se é para desfilar a minha singlehood à frente das parelhas dos meus moquecos, então que seja com muito estilo.

Roam-se, meus lindos.


4 Comentários a “Felicidade aos Noivos: Versão Raio Parta a Solteirisse da Maria Lua”

  1. MissangaAzul disse:

    E quem escreve assim não é gago!
    clap clap calp
    (e o vestido é lindo!!!)
    beijinhos


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  2. Pecola disse:

    Bela escolha! Bom, e com tanta dezena de convidado, quem sabe se não aparece mais um Príncipe Encantado?

    p.s. Viva o Nelson Évora!


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  3. Rita Carapau Sardinha Frita disse:

    Como eu te compreendo!… Mas deixa lá! Vais mesmo em grande estilo que o vestido é mesmo bonito! :)

    Beijos


    Visitar Rita Carapau Sardinha Frita
  4. Milene disse:

    Comigo acontece simplesmente a mesma coisa… Parece que decidiram casar-se assim do nada… Pro ano vou ter 6 casamentos… Uffffff….


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