
Desde que a Mommy voltou para as ibérias com os putos, contentes da vida por terem passado meia dúzia de dias a passear por Hyde Park, Hampstead Heath, Brighton, Legoland e pelo O2, onde foram devidamente cultórados nas virtudes da civilização egípcia do boy king Tutankhamun, porque parente de Maria Lua tem porque tem de ficar a saber uma coisinha ou duas sobre o mundo e a sua História, que tenho andado atulhada em trabalho até aos queixos, daí a avareza de textos escritos neste diário desde o início do mês, embora já tenha prometido a mim própria que doravante passarei a levantar-me mais cedo para despejar qualquer coisinha no papel, porque se há coisa que me deixa bem humorada logo pela manhã é escrever umas tonterias light, enquanto cultivo o verbatim self-absorbed ad vomitum.
Bom. Na semana passada, então, lá migrei para a Faculdade do Rei. Deixei o conforto da sala dos doutorandos da Londres Sempre Eterna, onde entre grande animação colectiva, escrevia a tese e preparava as aulas na companhia de outros oito moquecos. Agora tenho um escritório só meu, porque, alas, na Faculdade do Rei deixei de ser assistente de catedrático e passei a ser professora sem sufixo de assistente, e o trabalho caiu-me no colo como uma avalanche. Passo catorze horas por dia a rever um livro que estou a co-editar com o belga Frédéric para a Palgrave, a fazer projectos VLE para os professores em antecipação do novo ano académico, e escrever a tese, a preparar as palestras das novas cadeiras que fui recrutada para leccionar em 2008-2009 e a elaborar uma crítica literária de um livro de um colega.
Como podem imaginar, ando sem tempo para nada. Reduzi-me a pôr a leitura da Newsweek em dia na paragem do autocarro, a escrever pensamentos e daily tasks no bloco de notas do Blackberry, a manter a indulgência das novidades do Blockbuster ao mínimo, a esquivar conversas longas com outros seres racionais e a ver o noticiário da Channel 4 no Channel 4+1, onde o repetem uma hora mais tarde, dando tempo para chegar a casa no final do dia. Em uma semana só troquei mais de duas palavras com a Mommy, o administrador do meu novo departamento e a minha amiga Mathilde. Já não me lembro quando foi a última vez que pus os pés num pabe, que fui a uma house party ou que li o livro de cabeceira por mais de meia hora.
Mas, devo de dizer, não trocaria esta azáfama diária por nada neste mundo. Ando empanturrada de deadlines e produção literária em série até às costuras, mas ando muito satisfeita.
Neste mundo académico, não há nada que me dê mais pujança para continuar do que a aprovação dos meus meninos e dos meus superiores. Ainda ontem, recebi um email de um dos meus ex-alunos a dizer que tinha terminado a licenciatura com um Mérito e a agradecer-me por ser “such a cool teacher”. Um catedrático americano para quem fiz um projecto VLE, congratulou-me com um rasgado elogio, “it’s fucking fantastic, thank you, you’re amazing”. Sim, os catedráticos, pelos vistos, também dizem asneiradas, deixando-me tão surpresa quanto estimulada. E outro catedrático, guru supremo da minha área de especialidade, que colaborou com um brilhante capítulo para o livro, louvou-me e ao Frédéric pela “excelente” iniciativa literária.
Repito, ando muito, mas muito satisfeita. E que venham lá mais semanas como esta, que eu posso andar sem tempo para fazer um trimming de jeito às sobrancelhas, mas, como diz a Mommy, estes são os melhores dias da minha solteirísse e o melhor é aproveitá-los, porque depois do grande C, o trabalho não mais me ocupará a mente com o mesmo gusto.
Sissi disse:
The big C??
Thu, 14 August 2008, 11:21Mas tu vais casar???
Kiss Kiss
Sissi
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Grilinha disse:
É tão agradável ler posts com notícias que transbordam felicidade.
Parabéns pela nova função e que o sucesso te continue a bafejar.
Um beijinho
Fri, 15 August 2008, 1:56Visitar Grilinha