July 2008



▒ Are You Having a Laugh?

Wednesday, 30 July, 2008

No mundo do sketch da Brit Com, impera uma diva para sempre santificada pela Little Britain. Vicky Pollard de seu nome, ela é uma minga obesa com tiques de bully. E os predicados não se ficam por aí. Senhora e mestre de um dialecto imperceptível metralhado à velocidade do perdigoto mortífero - dez pontos para quem entender o que a viscosa diz do princípio ao fim - ela é veterana do fumo, do binge drinking e do shop lifting, prenha em série desde os 14 anos e rebento de família disfuncional dependente do dole. Vicky Pollard é, em suma, o cliché mais abusivo que alguma vez vi na BBC, mas por ser well funny, vale uma menção honrosa nesta rubrica semanal.

Matt Lucas é, por sua vez, o génio que dá corpo e peruca à menina Vicky e às frases mais memoráveis dos tempos que correm, Yeah but, no but, yeah but, no but, yeah but, no but, Or something or nothing!, Don’t gimme the evils!, They get beatings!

No video que se segue, podemos ver Mister Lucas e o seu companheiro de risota, David Walliams, em acção nos lugares onde esperariamos encontrar a Vicky - na sala de aula, na piscina, no pabe e no tribunal. Esta compilação de Melhores Momentos Vicky é um verdadeiro achado do You Tube e a legendagem em espanhol que a acompanha (o melhor que se pode arranjar) ajudará os menos letrados em estate slang a entender o humor da coisa.

Enjoy!


Para os fãs da Vicky, há mais aqui.

Trivia: Matt Lucas é na vida real absolutamente depenado de cabelo e sobrancelhas - diz ele ter perdido o seu lindo pêlo quando era criança depois de ter apanhado um susto de morte no Algarve onde costumava passar férias com os pais. Em 2006, David Walliams atravessou a nado o Canal da Mancha. A proeza demorou 10 horas e 34 minutos a concretizar.


Quem quer ser Henry Junior?

Monday, 28 July, 2008

Não querendo desprezar as honrosas e revolucionárias descobertas que os meninos das ciências naturais têm feito ao longo da história da humanidade, eu sou da opinião que os estudantes das ciências sociais é que se acham destinados aos achados dos cinco sentidos. Na persona do seu role model, Dr. Henry Walton Jones Junior, convencem-se que são os Indiana Jones das ciências racionais, os verdadeiros aventureiros de chicote na mão, cheios de curiosidades mil pelas mudanças que certas pessoas, líderes, grupos, partidos, nações e Estados têm exercido neste mundo. Sofrem eles de claustrofobia aos laboratórios fechados, cerrados à vida real, onde as revoltas populares, os media, a globalização, as guerras, o nacionalismo, a imigração e a diplomacia são conceitos abstractos sem razão de ser e sem nenhuma aplicação ao trabalho que se está a desenvolver. O objectivo dos cientistas sociais é antes aceitar a humanidade e a sua história tal como ela se apresenta, tentando entendê-la e explicá-la dentro do que é possível com os dados e observações que recolhem nas suas expedições aos quatro cantos do mundo. Fazem-se a terrenos desconhecidos e, por vezes, inseguros, aprendem línguas estranhas e vão ao encontro daquilo e daqueles que podem iluminar o puzzle intelectual que dá forma à sua investigação. Preparam viagens de campo à minúcia, marcando entrevistas e visitas a depósitos de documentos, e arranjam alojamento na cercania daqueles que melhor os podem elucidar sobre o tema que estão a escrever. Se tiverem sorte, ainda regressam a Londres com as repostas que procuravam e um research fund que cumpra a promessa de reembolsar as despesas da viagem.

Tudo isto é muito bonito e a mim deveria excitar deveras, uma vez que também eu sou estudante das ciências sociais mas, sinceramente, não me diz quase nada. Ao contrário dos meus colegas, o meu case study não me leva mais longe do que a Ibéria, onde passo dois pares de semanas por ano a fazer investigação, enquanto visito a família e me delicio com o que de melhor a cuisine nacional tem para me encher as tripas. Isto porque não é culpa minha que, neste reino róial, Portugal continue a ser tema exótico, tão exótico quanto o Uganda, o Panamá ou a Mongólia, mas ao contrário destes países, fique situado aqui no Oeste da Europa, na mesma time zone que as Ilhas Britânicas. Para além disso, do que me vale escrever sobre coisas menos familiares e mais longínquas do que as gentes da Ibéria, quando se contam pelos dedos os livros escritos em inglês sobre a nossa história política e, quando terminar o doutoramento, a minha tese terá tanta possibilidade de ser publicada quanto a dos colegas que escrevem sobre a Al-Jazeera e as minas anti-pessoal no Sudão?

De igual forma, esta história da observação in loco causa-me muita tristeza, pois deixou-me numa secura total de moquecos, que desertaram Londres para ir fazer pesquisa de campo à China, Austrália, Israel e Tajiquistão. Em Agosto, os poucos que restam rumarão à Argentina, ao Uruguai, à Itália e ao México. Uma chatice tremenda, porque até que a moquecada regresse a Londres, lá pelo final de Setembro, não me resta muito para fazer à noite senão ver as aventuras de Ewan McGregor em Long Way Round, outro gajo com a mania que é Indiana Jones sem sequer ser cientista social, cujas repetições são convenientemente exibidas no BBC iPlayer. Isto, claro está, quando não me ponho sob terror, porque em Istambul rebentaram duas bombas num bairro residencial, matando 15 pessoas, e a Mathilde anda por lá com botas de espora e chapéu de cowboy a fazer entrevistas para a tese. Depois de uma rápida troca de emails, ela lá confirmou que está viva. O pior foi a bombástica diarreia nativa que a atacou subitamente.

I rest my case.


Have a Little Faith!

Saturday, 26 July, 2008

Apesar do ano lectivo ter terminado há três semanas, eu continuo nas minhas lides académicas como se nada se tivesse passado. Continuo a trabalhar na revista, a desenhar VLE courses para o Departamento e a fazer biscastes na administração da faculdade. A única diferença é que as horas que passava a preparar e a dar seminários e a corrigir essays são agora dedicadas à escrita da tese e, ontem, terminei o primeiro de dois capítulos que quero entregar até ao final deste Verão, uma verdadeira master piece como me gabei ao supervisor quando lho enviei por email.

Ontem, também, cheguei à faculdade às oito e meia da manhã para vigiar exames dos cursos de verão que todos os anos são organizados pela minha Academia para os meninos cosmopolitas em troca de um pequeno tesouro equivalente a umas férias passadas nas Malvinas. Fiz vigias até às duas da tarde, altura em que corri para a sala dos doutorandos com um take away debaixo do braço para trabalhar na revista através do remote desktop. Um verdadeiro salva cús, esse remote desktop, que me permite evitar o escritório poeiroso da publicação e tratar das labutas da revista a partir da minha própria secretária enquanto os colegas de doutoramento me picam o cérebro com silly banter sobre o meu último desejo declarado – adquirir uma bela ladies hybrid Falcon City. O pior de todos é o Morgan, tenho de dizer, um canadiano amante do fitness e, curiosamente, do universo Maria Lua, que semanas depois de ter enviado um enorme ramo de rosas encarnadas para o Castelo de Westminster tentou violar-me a boca por ocasião da celebração do casamento do Nico e da Mathilde às portas dum pabe qualquer em Covent Garden. Há uns dias atrás, ele perguntou-me:

You what, Maria Lua?

I wanna get a bike.

What for? You refuse to leave zone 1, you don’t work out because you don’t wanna sweat and you came last in the school’s one-mile sports relief run. Even the dean finished first. Pitiful.

Actually, it was a marathon!

No, it wasn’t a marathon, it was a fucking one-mile run! I was there with you, remember? We crossed the finishing line together because I promised you I would run by your side until we completed the run.

Whatever.

What is more, Maria Lua, you’re too posh to ride the night bus so you always take a cab home after a night out in the pub. And I still have to see you walking in trainers!

I’m not posh! And, Morgan, just imagine the places I would go to on my bike. The things I would see, the worlds I would discover, the people I would meet. I would even, and brace yourself for this, I would even leave zone 1 and go visit you in Hampstead Heath. Isn’t that impressive?

Imagine is the key word. I can imagine being king of the world. I will brace myself when you are officially on a bike preparing to ride Hampstead Heath, then I will be overwhelmingly impressed. Nothing wrong with us people, we just know better.

Oh you sound just like my mother! Have a little faith, will ya?

No final do dia, depois de todos terem saído para o pabe, continuei a trabalhar na minha secretária. Tinha prometido ao professor Perry que lhe desenhava um VLE course para o próximo ano lectivo e quando desliguei o computador já passavam das onze da noite. A caminho de casa num black cab – pronto, confesso, I am a tad posh! – enviei uma mensagem ao Morgan. Se eu não podia me gabar da minha falta de inclinação para o esforço físico, motivo de chacota vomititious pela parte do Morgan, então ele que ficasse a par da minha disposição para trabalhar longas horas, chegando mesmo a sacrificar, alas, uma noite no pabe com os moquecos. Tal façanha, certamente, é mais notável do que um par de horas a suar no ginásio, digo eu.

23:22 - Guess what? I’m just leaving the research room! I´m the biggest geek in the whole world! What are you up to?

A reposta veio logo de seguida:

23:27 - U r definitely a geek but kudos 4 the discipline. Am going 4 standard late night half pinned walk. Livin la vida loca.

A “standard late night half pinned walk” é, na verdade, uma sessão de jogging que o Morgan gosta de repetir todas as noites nos desertos parques de Hampstead Heath com os seus labradores pela trela. Chama ele a isso “livin la vida loca”, chamo eu a isso “verdadeira demência”. E é por isso que eu não me ponho a fazer desporto. Não só fui muy abençoada com o gene da esbelteza, mas uma pessoa nunca sabe onde a obsessão do corpinho danone nos pode levar. Com a mania das corridas nocturnas, um dia destes, o Morgan ainda vira poster boy for gang rape. E esse é um risco que eu não estou disposta a correr. Mas, apesar disso, até gostaria de dar umas voltas por Londres na Falcon City. Nem que fosse só para mostrar ao Morgan que Maria Lua não tem asco à subúrbia.


Ode à Academia

Friday, 25 July, 2008

A Academia é o meu refúgio, o meu santuário, o meu spa, o meu Woodstock, a minha revolução silenciosa. É o sítio onde espero passar o resto dos meus dias: a trabalhar, a estudar, a investigar, a fazer sentido do mundo, a construir longas amizades com pilhas de livros e a perder-me de amores por pensadores vivos e há muito falecidos.

Na minha Academia do reino róial, Londres Sempre Eterna, encontrei o meu niche e as cores da minha pele, encarnada e branca, que me assentam nos ossos como uma bandeira. Talvez por esta Academia ser mais corporativa do que as da Ibéria, talvez por a sua credibilidade e reputação mundial ser incomparável a outras do continente, talvez por a sua tradição académica ser posto de referência para os líderes mundiais, que depois de politicarem em 10 Downing Street, dão um pulinho aos anfiteatros para discursarem para os estudantes, os “líderes de amanhã”, talvez por tudo isso e muito mais é aqui que eu me sinto no céu, no inferno, no centro do mundo.

O prestígio que o nome desta Academia me dá como doutoranda e professora assistente enche-me de orgulho, o mesmo que sinto pela cream of the crop que aqui lecciona. O conhecimento que destila por estas paredes, os académicos que aqui circulam e cujas opiniões são referenciadas em todo o mundo, inclusive na CNN e na BBC World, as palestras repletas de jovens e tímidas mentes dispostas a serem moldadas pelos mestres do pensamento, os corredores silenciosos da biblioteca cheios de livros e mais livros que quando lidos, entendidos e criticados nos engrandecem como seres racionais – tudo isto é o meu pão e a minha água. A razão de ser da minha gloriosa existência.

Dito isto, enganam-se os que pensam que Maria Lua sempre foi uma snob e pestilenta dos livros, sem modéstia para ter conversas decentes com mortais menos iluminados. Não, nunca fui. Na verdade, nunca fui uma mente particularmente brilhante, mas também nunca fui, atenção, menina de negativas – em vinte e três anos de estudo, elas contam-se orgulhosamente pelos dedos. Fui, antes, aluna consistente e dedicada ao seu trabalho e, por isso, menina de bons e satisfazes bem, embora horrores de opinada e com perguntas mil para os professores. O meu muy razoável aproveitamento nunca me envergonhou, nem a opinião que os professores tinham de mim, uns achavam-me o máximo, cheia de spunk e sassiness, outros uma respondona de primeira com atitudes de proletariado – um professor das Ibérias virado Ministro disse-me uma vez, Maria Lua, cuidado com a linguagem dentro da sala de aula, é melhor deixá-la para o café, embora tenha acabado por me graciar com um superlativo 18 no final do semestre. É assim. Às vezes, a vida tem dessas ironias. Mal sabe ele que a linguagem continua a mesma dentro da sala de aula, mas desta vez sou eu quem está à frente dos meninos, que não se queixam, muito pelo contrário, mostram-se genuinamente gratos pelo meu simplório vocabulário que lhes facilita a vida, porque, meus queridos, para complicada já basta a ranhosa da morte.

O que me distingue dos coleginhas mais inteligente de escola que não seguiram esta minha fabulosa carreira é o facto de eu estudar por genuína paixão, gozando, como se de um bom vinho se tratasse, cada gota de informação histórica e política mais interessante que cruze o meu caminho. Conhecer e compreender as causas por detrás das coisas, a génese de certos eventos sociais e políticos, são o meu objectivo número uno, mais do que alguma vez foram a boa da média final de lincenciatura, de pós-graduação ou do master’s. Com 14 anos, juntamente com a leitura assídua da Ragazza, já eu assinava a Newsweek e, desde então, tenho sido modestamente bem sucedida em desenvolver o meu intelecto e a visão que tenho do mundo. O conhecimento, ao contrário da roupa da moda, não ocupa espaço.

Mas não são só as “ideias”, as “causas” e as “razões” que me estimulam no mundo académico. Na minha Londres Sempre Eterna tenho feito de tudo um pouco para a administração da faculdade. Para mim, não só é imperativo fazer parte da faculty que educa e aviva o brio dos “líderes de amanhã,” também considero de importância máxima saber como as catedrais do conhecimento funcionam, estar a par das complexidades administrativas do ensino superior. Assim, nestes últimos quatro anos, desde os tempos do master’s, já trabalhei em revistas académicas, organizei uma conferência mundial, chefiei uma associação académica, vigiei inumeráveis exames de final de ano e de curso de verão, escravei brevemente para a Graduation Admissions Office e, finalmente, ajudei nas matrículas e nas cerimónias de graduação. Em suma, fiz de tudo um pouco em troca de uns tostões rápidos, mas acima de tudo, em troca de uma compreensão holística do que os meus alunos têm de passar antes de entrarem na minha sala de aula e depois de sairem da minha vida. O meu papel na sociedade não se limita a passar informação de uma geração para a outra, pôr os miúdos a lerem e a pensarem pelas suas próprias cabecinhas. Esse papel também abrange outras funções mais chatas e aborrecidas como amparar, educar e formar personalidades, mesmo que os meus meninos já tenham vinte e um anos de idade.

E essa é uma missão que eu levo muito a sério.

Em vista disto, e depois desta longa ode à Academia, podem imaginar como eu me senti hoje, quando vi as notas que os catedráticos da cadeira que assisto deram aos exames de final de ano dos meus meninos. Todos os meus alunos tiveram Mérito à minha cadeira, com excepção de dois que tiveram Distinção. Ninguém teve um rasco Pass. Um verdadeiro feito. Ai.

Tissue!


Gentlemen of Westminster

Wednesday, 23 July, 2008

Esqueçam o match dot com e as excursões anuais a Wimbledon e ao Royal Ascot, os classificados amorosos da trendy Time Out e as ocasionais noites passadas no pabe da moda em declarada men cruising mission, o melhor lugar para se conhecer homem interessante, crescido e poderoso, besuntado de potencial e cheio de perspectivas futurescas é no prédio do meu Castelo de Westminster.

Todos os dias, membros do parlamento e da casa dos lordes, escritores e jornalistas de renome, executivos de multinacionais e secretários de Sua Majestade roçam ombros comigo nos corredores, elevadores e hall de entrada deste magnífico edifício residencial, situado no coração de Londres, em plena área governamental de Westminster. Por vezes, do alto da minha janela, enquanto contemplo a Victoria Tower, consolada pelas badaladas do Big Ben, também vejo uma certa V.I. Person chegar de chauffeur, acompanhada na rectaguarda por uma troika de seguranças. Assim que a dita senhora é avistada, o concierge aqui do sítio desfaz-se em obséquios, dando-lhe as boas vidas, Welcome back!, antes de correr para o elevador que a irá transportar até ao andar off limits, uns quantos abaixo do meu.

O Castelo de Westminster é o único apartamento em que alguma vez vivi em Londres. No dia em que me mudei para esta cidade, visitei um par de moradas pela mão de uma real estate agent a quem instruí que apenas me mostrasse domicílios posh em vizinhanças respeitáveis - sim, eu sempre tive a mania das grandezas, como já devem ter reparado! - e quando entrei neste apartamento tamanho casa de bonecas e vi a fabulosa vista que tinha sobre Londres foi amor à primeira vista. Uma semana de financial and security checks mais tarde, assinei o contrato e mudei-me para os meus luxuosos aposentos. Já lá vão quatro anos e cada ano parece ter passado em menos de quatro dias.

Desde então, tenho falado com muito vizinho macho no elevador. Uns olham-me de alto a baixo, porque eu arrendo, não sou proprietária, grumpy old sods, e outros perguntam-me pelo sotaque e pelas malas que trago ao ombro cheias de livros.

Mas, os meus favoritos, devo de dizer, são os que fazem parte da liga de cavalheiros, os que cheiram a aftershave de marca e coram quando as portas do elevador se abrem e eu já venho lá dentro - os ingleses são muito tímidos e a palidez da sua tez sempre trai os seus pensamentos. No seu desconforto, comentam o tempo e fazem uma piadas sobre o último refurbishment da portaria. Elogiam-me o cheiro do perfume e as unhas impecavelmente pintadas de encarnado. No fim da “viagem”, dão-me prioridade no desmonte do elevador e desejam-me a nice day antes de cruzarmos a porta de saída. Uns verdadeiros gentlemen.

gen•tle•man
Noun
pl -men

1. A man of gentle or noble birth or superior social position.
2. A well-mannered and considerate man with high standards of proper behaviour.


Luanetes Sempre em Festa

Tuesday, 22 July, 2008

Meus amores, eu não poderia deixar de expressar aqui a minha humilde gratidão por terem acolhido o meu regresso à blogoesfera com tanto carinho e boa camaradagem. Isto é ridículo de se dizer, mas os meigos comentários e posts que escreveram ontem deram-me comichãozinha no coração, um jovem muy impressionável que não antecipou ver por aqui, passados dois anos, tanta “cara” conhecida e tanto luanete que ainda se lembrava do Maria Lua Ponto Com - abracinho apertado às minhas lindas Agnès, Sissi e Grilinha, e ao simpático Sérgio. Obrigadas mil ao Ÿpslon pelo link. Bastou a João fazer um anúncio no seu estabelecimento cinco estrelas, seguida da doce Pécola, da fabulosa Kat e do cortês Tiago para este cantinho virtual voltar a encher-se de gente. Pois são todos muito bem-vindos, velhas e novas caras, mi casa es su casa

E agora, sem querer vos dar pressa, façam o favor de se porem à vontade porque a festa já começou.


▒ Are You Having a Laugh?

Monday, 21 July, 2008

O Reino Unido não é tão unido quanto isso. Na verdade, é um autêntico mish mash de culturas, línguas e nações sem Estado, de vontades separatistas e outras integralistas, de séculos de guerras de unificação e várias décadas de terror republicano.

É um Reino partido em quatro fatias que toca sob a batuta dos ingleses, pensem o que os parlamentos da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte pensarem, pois se a Inglaterra continua a não ter um parlamento regional (a velha West Lothian Question), é porque os próprios ingleses têm medo de perturbar o delicado equilíbrio político que os permite monopolizar desde há muito tempo o destino destas ilhas. Perante esta palpável divisão, os britânicos (ou melhor dizendo, os ingleses) criaram hábitos, iguarias e traços comuns que foram elevados a cultura nacional na tentativa de minimizar conflitos internos, dando a crer que os britânicos fazem todos parte da mesma nação. Ele é o fish and chips e a shepherd’s pie, os encarnadinhos marcos do correio e cabines telefónicas, os double deckers e os black cabs, a Union Jack e a família real, a tusa das corridas de cavalo, as apostas, os pabes, o chá e o humor britânico.

E era aqui que eu queria chegar. Se há coisa que me faz arquear os dedinhos dos pés de contentamento é passar um serão à frente da televisão a ver o Peter Kay, o Peep Show e o Little Britain e, uma vez por outra, ir ao Hammersmith Apollo assistir aos shows do Ricky Gervais e do Alan Carr.

O humor britânico é inigualável e único, particularmente brilhante e self-effacing. É a cola que une este Reino na sua distinta capacidade de fazer pirraça de si próprio, de criticar o fait-divers, as rivalidades regionais, as tensões étnicas e as discrepâncias sociais sem necessariamente cair na ofensa barata ou no paternalismo discriminatório. É um humor inteligente, bem-disposto e com um profundo sentido da História, próprio de um povo que participou activamente nos eventos políticos mais significativos que mudaram a Europa desde o Iluminismo.

Por isto, e acima de tudo, por eu ser fanzássa númera una do humor britânico, aqui declaro inaugurada a rubrica semanal, Are You Having a Laugh?, onde o melhor que se faz neste reino róial será gabado ad nauseum.

E agora se me permitem cá vai o primeiro vidjio, este do meu comediante favorito, Eddie Izzard, que aqui nos fala da Segunda Guerra Mundial, tema de eleição do horário nobre das estações de televisão, e, principalmente, da saudosista BBC, que todos os meses insiste em passar um fartanço de documentários sobre Hitlers, Churchills, Finest Hours, French collaborators, Normandias e outras pachachíces que tais, convencida de que ainda hoje os alemães são nossos inimigos e os franceses não são de confiança.

Ladies and gentlemen, I give you Eddie Izzard:

 


Dia da Indepêndencia

Sunday, 20 July, 2008

Hoje, é o dia de independência da Colômbia, efeméride que não me diz nada ao coração nem ao intelecto e certamente me passaria completamente ao lado se não fosse a Mercedes convidar-me para celebrarmos o dia em que o seu país emancipou-se da espanholada com um almoço colombiano de lamber os dedos.

Ao almoço juntou-se-nos também o casal canadiano superstar, o Edward e a Martha, ele colega de doutoramento, ela futura estudante de medicina em Halifax, e o casal maravilha luso-francês, preferido dos preferidos, o Nico e a Mathilde, grandes amigos do peito, da fofoca, dos copos e do bem-dizer da pátria ibérica, ela colega de doutoramento, ele consultor numa qualquer empresa londrina.

A matinée, como se poderia esperar, foi muito cótural e entretida com interessantes debates sobre a história e a política contemporânea colombiana, mas o ponto alto, devo de dizer, não foram os sons andinos que ecoavam dos speakers, nem a deliciosa home meal cozinhada pela superdotada Mercedes com a ajuda da sua simpática flatmate, a argentina Evita. A bom do registo para a posteridade, convém deixar aqui escrito que um verdadeiro banquete de milho cozido, sancocho de pescado, arroz de coco, arroz de feijão, plátano, ceviche e doce de leite com queijo fresco foi servido, como diz a Mommy, com muito amor. Não. Como estava a dizer, o ponto alto da festa não foi sequer a comida, foi antes ver que os casais moquecos decretaram há pouco tempo o tube, o double decker e o black cab obsoletos e decidiram juntar-se à febre do street cycling, que, por curiosidade, conta já com um milhão de donos e proprietários de bicicletas só na cidade de Londres, deslocando-se a pedais para todo o lado: para o trabalho, a faculdade, a Tesco, o ginásio, o parque, o pabe e até mesmo para a casa da Mercedes.

Os quatro convertidos contaram-me maravilhas das duas rodas, da rapidez com que se cruza a Zona 1, do dinheiro que se poupa em transportes públicos e da segurança que se sente no meio do trânsito, pois os automobilistas britânicos até são minimamente civis e respeitadores do código da estrada. Para além disso, dizem eles que ciclar faz bem ao coração e ajuda a tonificar as pernocas e os abdominais, so what are you waiting for, Maria Lua?

Perante tanta vantagem, devo de dizer que fiquei tentada a deixar os saltos em casa e fazer-me à camisola amarela até porque, depois de dar uma voltinha na bomba da Mathilde, confirmei que ainda tenho o equilíbrio necessário à ciclagem. Assim, parece que nada me está a impedir de, qual Simón Bolívar, também eu declarar o meu dia de independência do oyster card, nem que seja só ao fim-de-semana em que, for Pete’s sake, os autocarros parecem virar atracções nacionais, enchendo-se de turistas de mapa na mão e de criançado de palmo e meio que insiste em gritar a pulmões cheios. Da mesma maneira, ao fim-de-semana esta cidade parece que pára, literalmente, e hoje só para chegar a casa da Mercedes, ou seja, só para ir de Westminster a Newington Green, demorei uma hora e meia de transportes, enquanto os casais atletas, esses, não demoraram mais de 45 minutos para cobrir o dobro do percurso.

Bikes -1; Double deckers - 0


Addicted To Fashion!

Saturday, 19 July, 2008

Minha gente, eu tenho uma confissão a fazer – eu sofro, assim que de maneiras, de uma certa tendência compulsiva para comprar roupa, sapatos e qualquer acessório mais cintilante que faça brilhar os meus olhos. Sou incapaz de passar pela Topshop, pela Nine West ou pela Accessorize sem adquirir as últimas novidades, como da mesma forma, sou incapaz de não me entregar a uma online shopping spree de cada vez que recebo uma newsletter da Oli, da Shoe Studio ou da eBags. Como podem imaginar, um verdadeiro vício de aborrecidas consequências. Com o dinheiro que gastei o ano passado na high street podia ter feito um cruzeiro nas Caraíbas em primeira classe que ainda me sobrava pocket money, mas não é isso o que me está a deixar apreensiva. Não. O que me está a fazer pensar duas vezes antes de comprar o próximo trapo, sola e bling bling é o facto de já não ter um centímetro de espaço disponível no Castelo de Westminster para guardar máinada.

Com o guarda-fato a abarrotar de espécimes Topshop e Oli - e esses são só os exemplares Primavera-Verão, a roupa de Inverno está no armário do hall de entrada - a minha colecção de sapatos teve de migrar para o armário da caldeira, o que me deixou deveras triste, porque a caldeira não é sítio onde se guardem os meus meninos e eu não quero que eles pensem que eu não gosto deles.

 

Do mesmo modo, desde que deixei de ter gavetas onde pôr os acessórios, os colares andam pendurados no espelho do quarto, enquanto os lenços estão enfiados, juntamente com os casacos e cachecóis, num dos armários da cozinha.

 

As malas, essas, estão empilhadas atrás da porta do quarto, pobrecitas, e os cintos partilham o mesmo cabide que à custa de muito empurrão lá vai cabendo no guarda-fato.

 

Dito isto, é preciso ter em mente que se há coisa que me dá tremores no sobreolho é a confusão do cluttering. Não suporto ver cangalhada acumulada, mas por outro lado também não consigo deixar de coleccioná-la. Duas sensações contraditórias que ultimamente instigaram a minha primeira crise fashionista e ainda me levaram a pensar doar parte das minhas preciosas posses à Cancer Research Charity Shop, desocupar o Castelo ao mesmo tempo que dava uma de altruísta e firmava as minhas credenciais de moqueca preocupada com o flagelo do cancro. O que me fez mudar de ideias foi o simples facto de que eu gosto (e uso!) todas as peças a que chamo “minhas” e, para além disso, a sua vasta quantidade ajuda-me a perpetuar o mito da Maria Lua – a moqueca que jamais é vista a desfilar o mesmo outfit no mesmo trimestre. Assim como assim, algo me diz que mesmo que amputasse parte da minha fabulosa couture, em menos de seis meses teria o apartamento na mesma desgraça.

Por tudo isto, a única alternativa que se tem apresentado mais factível é o self-control - evitar a high street, apagar as newsletters ainda antes de as abrir e tentar convencer-me de que os mais de cinquenta vestidos que tenho no armário e os mais de trinta pares de sapatos que tenho na caldeira são suficientes para replicar o último look ditado pela Vogue.

Mas esta semana, tenho de dizer, foi simplesmente impossível ignorar os meus impulsos shopaholics. Com os saldos no auge e os percentis a subirem, eu não podia deixar de adicionar mais cinco malas às treze que já tenho. Ou podia?


Dois Anos Depois

Friday, 18 July, 2008

Nos últimos dois anos, desde que escrevi as últimas linhas do Maria Lua Ponto Com, que se me recordo bem, terminou na noite em que o Peter decidiu iniciar um escaldante affair com esta inocente, muito crédula e para sempre escarlatada moqueca, muita coisa mudou.

2006

Em Outubro de 2006, no mesmo mês em que a Coreia do Norte fez explodir um engenho nuclear nas párias montanhas do seu país, eu comecei a dar aulas como professora assistente na minha prestigiada academia, também conhecida por Londres Sempre Eterna, a licenciandos do último ano, turmas de cachopos simpáticos que durante dois anos têm-me mimado com notas acima da média e emails de agradecimento de puxarem do lencinho. No mesmo mês, também comecei um mandato de um ano, não remunerado, como chair duma Associação académica de renome internacional, cujo nome não interessa para aqui, a qual só me deu dores de cabeça, um par de úlceras nas veias, animosidades com antigas amigas de pub e a promessa de que nunca mais me apanhavam numa igual. A experiência profissional que adquiri, essa, foi o que me valeu, pois aumentou exponencialmente a cota da minha reputação académica junto do mercado das transacções intelectuais.

No mês seguinte, em Novembro de 2006, enquanto Saddam Hussein era condenado por crimes contra a humanidade, eu decidi começar a fumar - eu sei, eu sei… - por nenhuma razão especial senão aquela de que queria sentir nas minhas roupas, no meu cabelo, na minha pele, nas minhas ventas e nos meus dedos o cheiro êxtasiante do Peter. Estou certa que outras moquecas concordarão comigo quando digo que o odor mais reconfortante, doce e afrodisíaco do universo é o cheiro do homem que amamos e, por essa altura, eu andava tão perdida de luxúria pelo súbdito de Sua Majestade, o mesmo que me trazia enrolada no dedo mindinho do pé, que o seu cheiro a nicotina passou a ser o meu perfume de eleição. Que nojo, sei eu muito bem, e agora é que eu merecia mesmo ser atirada contra a parede, depois de uma confissão destas que coloca em questão todo o meu well-scented world sustentado ao peso de um pequeno resgate de um rei gasto em perfumes franceses e besuntos de duche e depois-de-duche das mesmas marcas.

Bom. Mas continuando. Por essa altura, também conheci o Juan, um espanhol de pestanas compridas e longa network de amigos e conhecidos que numa noite de copos no pub da faculdade apresentou-me a um grupo encantador de moquecos e moquecas vindos dos quatro cantos do mundo. Em pouco tempo, a trupe do Juan tornou-se também na minha gangue, no oxigénio que ainda hoje continua a revitalizar-me o humor e a auto-estima cada vez que me cruzo com eles no Departamento ou chego a uma house party e dez pares de braços se estendem para me abraçar e amassar o ego.

E assim os meses se passaram. Saddam Hussein foi enforcado e eu terminei tudo com o Peter, cansada da quickie e da sua bigamia.

2007

No início de 2007, a Bulgária e a Roménia entraram na União Europeia e também eu decidi andar com a vida para a frente, dando início ao que viria a ser um muito curto romance com o Preston, rapaz que embora nos seus tenros vintes, se mostrou frustrantemente impotente. Em menos de nada, Chirac anunciou os seus planos de reforma e o Preston foi à vida. Marinheiros britânicos foram capturados e soltos pelas autoridades iranianas e o Peter voltou à carga, sniffing around like a dog in heat, tentando-me com o seu cheiro a tabaco, as suas mãos sôfregas e o seu beijo húmido. O independentista Scottish Nationalist Party ganhou as eleições para o parlamento escocês, Gordon Brown substituiu Tony Blair em 10 Downing Street e o Peter e eu andámos enroscados como um par de teenagers, escondidos pelos cantos dos prédios como dois agentes da Gestapo exilados na Argentina.

Com a chegada do Verão, melhor dizendo, com a continuação da chuva e do frio - quem vive nesta cidade sabe tanto quanto eu que, no ano passado, o Verão chegou e foi-se embora no dia 23 de Maio - eu e a Mommy fomos visitar o padrasto irlandês a County Kerry, antes de rumarmos a Paris para mais uma expedição anual às lojas da moda da capital das luzes.

Por essa altura, Karl Rove demitiu-se da administração Bush, a Indonésia foi abalada por três fortes terramotos e eu ganhei, finalmente, à custa de muita lágrima salgada e noite mal dormida, dois dedos de testa. Depois de mais uma esfregada no Peter, decidi que outro capítulo da minha autobiografia, “Melhores Quecas de Sempre”, tinha de chegar ao fim e, sem pena minha, ser encerrado para sempre. Maria Lua voltou a reclamar o seu velho papel de estrela principal da sua própria vida, mulher depilada e muito auto-amada, sem tempo, inclinação, nem pachorra para desencalhar homens de tomatada light, mal-copulados e happy-fobiosos.

Em Outubro de 2007, no mesmo mês em que Benazir Bhutto regressou ao Paquistão, eu terminei o mandato e saí de vez da Associação, iniciei o segundo ano como professora assistente e comecei a trabalhar numa revista da especialidade, que por acaso não é a minha. Para além disso, também fui recrutada pelo Departamento para trabalhar como VLE Designer juntos dos deuses catedráticos, que em pouco tempo se encantaram com os meus talentos para o IT e o HTML e se tornaram numa muy apreciada legião de fãs. Tudo coisinhas boas, como podem imaginar.

O ano de 2007 acabou com um par de dates rançosos, a declaração do estado de emergência no Paquistão e na Geórgia e a votação do Tratado de Lisboa.

2008 

Ano novo, vida nova, ou quase! Mais um par de capítulos foram escritos de fresco, acabadinho de sair do forno, que com o coração em banho maria, já estava na altura do doutoramento andar para a frente. Enquanto o Quénia afundava em conflitos étnicos, Castro demitia-se da presidência de Cuba, Dmitri Medvedev era eleito chefe supremo da Rússia e Bertie Ahern deixava de ser primeiro-ministro da Irlanda, eu esmerdei-me a escrever a minha master piece. Ainda dei um pulo à Ibéria para fazer pesquisa nos arquivos e bibliotecas da metrópole do Império e de regresso a Londres, com as ideias mais aclaradas e bem fundamentadas, a minha contribuição para o mundo das politiquices foi designada de “original” e “inovadora” por aqueles que muito sabem e tudo conhecem - ai, música para os meus neurónios, que agora é só escrever mais uns quantos capítulos e a coisa fica dada como pronta, eu emancipo-me da Never Land e faço-me ao mundo dos crescidos como gente grande, juro por deus que é só mais um ano!

Ou será que é?

Há dois meses atrás, em Maio, portanto, depois do Peter ter voltado a aparecer do nada, vindo bater às portas do real Castelo de Westminster, só para ser enviado de volta para de onde se veio a arrastar, frustrado comigo e com a minha teimosia pois os planos que tinha para a soirée deviam ser mais excitantes do que a noite que acabou por passar na rua a olhar para o alto da minha janela, fui convidada por um colega que me conhecia dos tempos da Associação a substitui-lo na Faculdade do Rei. Ou seja, fui convidada a deixar o sufixo de “assistente” para trás e, durante um ano, tomar as rédeas de um par de cadeiras leccionadas a licenciandos e mestrandos no prestigiado departamento das Ibérias. A oferta foi aceite na hora e desde então tenho estado a andar pelas nuvens, gratas mil pelas oportunidades que esta Londres me tem oferecido desde que aqui assentei malas há quatro anos. Em troca de muito trabalho, bruta dedicação e sovaco encharcado, esta minha terra do posh accent tornou-se na cidade das oportunidades, das ambições concretizados, das aspirações realizadas e dos desejos saciados. É a Londres que chamo de casa, de porto de abrigo, de colo de mãe. É o meu útero e as minhas entranhas. O cenário perfeito do meu conto de fadas. O meu pouso de eleição, onde a chuva não pára de cair de forma romântica e o céu é para sempre cinzento chouette.

Hoje, nos dias que correm, Israel e o Hamas declararam tréguas, Ingrid Bettancourt foi resgatada das mãos das FARC e eu ando por aqui, quase, quase, a largar o vício do fumo (despojos da relação com o Peter!), mas sempre a lavrar que nem uma alentejana, sem medo de sonhar grande. Com o coração nas mangas, ainda arrisco o ocasional date, mas jamais digo não a uma saída com o Juan e os moquecos para os pubs da cidade. Desde que o Chardonnay corra solto e hajam black cabs a circular, a Maria Lua poderá ser vista em qualquer parte de Londres a viver um romance perfeito com a capital de todos os seus amores.


Maria Lua, Parte 2

Wednesday, 16 July, 2008

Maria Lua vive há quatro anos em Londres. Com 28 anos de idade, está a doutorar-se numa das mais prestigiadas faculdades do mundo letrado e, para além de ganhar a vida como professora académica, trabalha como VLE designer e como Managing Editor Assistant numa revista da especialidade. Quando não está escravar como uma isaurinha, Maria Lua gosta de sair para os pubs com os seus moquecos, devorar a Vogue, a Economist e a Newsweek, usar e abusar da assinatura do Blockbuster e escrever, escrever muito. Embora não troque a solidão do seu Castelo de Westminster por nada neste mundo, nas noites mais chuvosas, Maria Lua sonha secretamente com o dia em que finalmente irá conhecer o seu príncipe encantado e aceitar, sem traumas históricos, a versão romântica de um qualquer Ultimato Inglês revisitado, Mary Moon, marry me!

Como já devem ter reparado, o Pink al Fresco é a sequela do Maria Lua Ponto Com, escrito entre Abril de 2005 e Setembro de 2006, e tem como única e exclusiva finalidade manter a sanidade mental da autora num mundo académico que tende a ser mais cinzento do que pink.

Por isso, nomes e detalhes foram modificados ou omitidos no sentido de proteger a privacidade da autora e daqueles que a rodeiam. A verdade aqui contada al fresco é a da Maria Lua, conhecida pelos seus exageros dramáticos e prosas teatrais, e, como tal, nem sempre coincide com a dos outros.

Maria Lua is back!